O que pesa no resultado de uma clínica odontológica
- Custo de materiais e laboratório, um custo variável relevante que precisa entrar com precisão na precificação de cada procedimento.
- Tratamentos vendidos em pacotes e parcelados, que geram inadimplência e descasamento entre o custo, que ocorre agora, e o recebimento, que se estende por meses.
- Repasse a dentistas parceiros, que precisa ser calculado sobre o valor líquido, já descontados imposto e taxa de cartão, e não sobre o valor cheio.
- Mix amplo de procedimentos com margens muito diferentes, o que exige análise por tipo de tratamento.
Frentes de trabalho
A precificação por procedimento é o centro do trabalho: custo de material e laboratório, tempo de cadeira, custo da hora clínica, imposto e repasse, somados à margem desejada. A partir disso, identificam-se os procedimentos que estão sendo vendidos no prejuízo e os que sustentam a clínica.
Em paralelo, estrutura-se a régua de cobrança de pacotes, com política de parcelamento que embute o custo financeiro no preço, e a conciliação dos recebimentos. O objetivo é que o tratamento longo pare de ser uma fonte de inadimplência e de aperto de caixa.
Parcelamento sem juros de um tratamento longo, sem esse custo financeiro embutido no preço, significa que a clínica está financiando o paciente do próprio caixa.
Indicadores para clínica odontológica
- Margem de contribuição por tipo de procedimento.
- Percentual do custo de material e laboratório sobre a receita.
- Inadimplência de pacotes e taxa de conclusão de tratamento.
- Rentabilidade por dentista, já considerando o repasse sobre o valor líquido.
- Ticket médio por plano de tratamento e taxa de conversão de orçamentos.
Exemplo prático: a margem real de uma coroa de porcelana
Veja o cálculo completo de um procedimento em uma clínica odontológica fictícia, com três cadeiras e dois dentistas, sendo um deles parceiro com repasse.
- Preço praticado: R$ 1.800, parcelado em seis vezes no cartão.
- Material e laboratório: R$ 520.
- Imposto efetivo da clínica: 8% sobre a receita = R$ 144.
- Taxa de cartão: 3,5% = R$ 63.
- Valor líquido para base do repasse: R$ 1.800 − R$ 144 − R$ 63 = R$ 1.593.
- Repasse ao dentista, 30% sobre o líquido: R$ 477,90. Calculado sobre o valor cheio, seriam R$ 540, uma diferença de R$ 62,10 por coroa.
- Margem de contribuição: R$ 1.800 − 520 − 144 − 63 − 477,90 = R$ 595,10, ou 33,1% do preço.
- Confronto com a estrutura ocupada: o tratamento consome três sessões de uma hora. A R$ 110 de custo de hora de cadeira, são R$ 330. Sobram R$ 265,10 por coroa depois de pagar a estrutura usada.
- Efeito no mês: em 15 coroas mensais, a base errada de repasse consumiria R$ 931,50 por mês, ou R$ 11.178 em doze meses, sem que nada apareça como erro no caixa.
Os valores são ilustrativos e servem apenas para mostrar a sequência do cálculo. Preço, custo de laboratório, alíquota efetiva, taxa de cartão e percentual de repasse variam em cada clínica, e a conta só orienta decisão quando é refeita com os números reais do negócio.
Repasse sobre valor cheio ou sobre valor líquido
Essa é a decisão que mais silenciosamente corrói a margem de clínica odontológica. A comparação usa o mesmo procedimento do exemplo acima.
| Critério | Repasse sobre o valor cheio | Repasse sobre o valor líquido |
|---|---|---|
| Base de cálculo | R$ 1.800, o preço de tabela | R$ 1.593, já sem imposto e taxa de cartão |
| Repasse de 30% | R$ 540 | R$ 477,90 |
| Quem absorve imposto e cartão | Só a clínica | Clínica e profissional, na proporção do acordo |
| Efeito na margem | Cai R$ 62,10 por procedimento | Preserva a margem prevista na precificação |
| O que o contrato precisa dizer | Percentual e forma de pagamento | Percentual, base líquida e quais deduções entram nela |
Erros mais comuns
- Precificar sem o custo de laboratório atualizado: a tabela do laboratório muda e o preço da clínica fica congelado, o que reduz a margem sem que ninguém perceba.
- Parcelar tratamento longo sem embutir o custo financeiro: a clínica paga o material agora e recebe em doze meses, financiando o paciente com o próprio caixa.
- Fechar orçamento com desconto sem saber a margem: um desconto maior que a margem de contribuição transforma o tratamento em prejuízo, mesmo com o caixa recebendo.
- Tratar o repasse como despesa fixa: ele é variável, ligado ao procedimento realizado, e precisa entrar no cálculo de cada preço, não só no fechamento do mês.
- Analisar o resultado só por dentista: sem margem por tipo de procedimento, a clínica não sabe se o problema é o profissional, o mix de tratamentos ou o preço.
- Contar o tratamento como receita no fechamento do orçamento: o plano aprovado vira receita conforme as sessões acontecem e as parcelas entram, e não no dia do aceite.
Como o Grupo Ryka trata isso na prática
- Levantamento de custo por procedimento: material, laboratório, tempo de cadeira e custo da hora clínica apurados para os tratamentos que mais aparecem na agenda.
- Revisão da base de repasse: conferência de contratos e do cálculo praticado, com simulação da diferença entre base cheia e base líquida no volume atual da clínica.
- Régua de cobrança de pacotes: política de parcelamento por faixa de valor, custo financeiro embutido no preço e rotina de conciliação dos recebimentos.
- Painel por tipo de tratamento: margem de contribuição por procedimento, percentual de material sobre a receita, inadimplência e conversão de orçamentos, revistos no fechamento mensal.
- Frente contábil junto: regime tributário, pró-labore e distribuição de lucro tratados com a mesma equipe que cuida da precificação.
Atendimento em Mogi Guaçu, região e todo o Brasil
O Grupo Ryka atende clínicas odontológicas de forma presencial em Mogi Guaçu e região, e de forma remota em todo o país, com diagnóstico, implantação e acompanhamento por indicadores.
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