Simples Nacional x Lucro Presumido: Qual Faz Sentido para a Sua Clínica

Simples Nacional e Lucro Presumido são os dois regimes em que a maioria das clínicas se enquadra. O Simples unifica os tributos e depende do Fator R para definir o anexo. O Presumido apura IRPJ e CSLL sobre uma margem presumida e os demais tributos à parte. A comparação só é confiável quando feita com os números reais da clínica.

Revisado por Igor Brito, CEO e Fundador do Grupo Ryka · Atualizado em 07 de setembro de 2026

Como cada regime tributa a clínica

No Simples Nacional, um único documento reúne os tributos federais, o ISS e a contribuição previdenciária patronal em boa parte dos casos, com alíquota efetiva que cresce com o faturamento e depende do anexo. Para serviços de saúde, o anexo é definido pelo Fator R: 28% ou mais de folha sobre a receita leva ao Anexo III, mais barato; abaixo disso, ao Anexo V.

No Lucro Presumido, IRPJ e CSLL incidem sobre uma margem presumida da receita de serviços, enquanto PIS, Cofins, ISS e a contribuição previdenciária patronal são apurados separadamente. A carga final depende bastante do peso da folha.

Simples Nacional x Lucro Presumido: comparativo

CritérioSimples NacionalLucro Presumido
Forma de recolhimentoGuia única (DAS) reunindo tributos federais, ISS e, na maior parte dos casos, a contribuição previdenciária patronalTributos apurados e recolhidos separadamente
Base de IRPJ e CSLLEmbutidos na alíquota efetiva do anexoIncidem sobre margem presumida da receita de serviços
Peso da folhaDecisivo: o Fator R define Anexo III (folha ≥ 28% da receita) ou Anexo VRelevante pela contribuição patronal apurada à parte
Limite de faturamentoSim, existe teto para permanecer no regimeSem o teto do Simples, dentro do limite próprio do regime
Obrigações acessóriasEstrutura mais enxutaMais obrigações e escrituração
Perfil em que costuma vencerFolha alta em relação à receita e faturamento dentro do limiteFolha baixa em relação à receita e faturamento elevado

O quadro compara a estrutura dos dois regimes. Alíquotas, faixas e limites são definidos em lei e mudam ao longo do tempo: a escolha exige simulação com os números da clínica e conferência na fonte oficial citada ao fim desta página.

Quando o Simples tende a ganhar

  • Faturamento dentro do limite do Simples e Fator R mantido em 28% ou mais, garantindo o Anexo III.
  • Estrutura administrativa enxuta, com menos obrigações acessórias.
  • Clínica em fase inicial, com faturamento ainda moderado.

Quando o Lucro Presumido tende a ganhar

  • Faturamento próximo ou acima do limite do Simples.
  • Folha baixa em relação à receita, o que jogaria a clínica para o Anexo V no Simples.
  • Situações em que a simulação mostra carga total menor, mesmo com os tributos apurados à parte.

Uma clínica com folha baixa e faturamento elevado é o caso clássico em que vale simular o Lucro Presumido, porque no Simples ela cairia no Anexo V, mais caro.

Exemplo prático: montando a comparação de uma clínica

Considere uma clínica com três salas e dois profissionais, hoje no Simples Nacional. Os valores são ilustrativos e servem para mostrar como os dados de entrada da comparação são organizados.

  1. Receita bruta dos últimos 12 meses: R$ 1.800.000.
  2. Folha do período: R$ 288.000 de salários e encargos, mais R$ 72.000 de pró-labore, totalizando R$ 360.000.
  3. Fator R: R$ 360.000 ÷ R$ 1.800.000 = 0,20, ou 20%. Abaixo de 28%, a clínica está no Anexo V, o mais caro.
  4. Folha necessária para o Anexo III: 0,28 × R$ 1.800.000 = R$ 504.000, ou R$ 144.000 a mais por ano, cerca de R$ 12.000 por mês entre folha e pró-labore.
  5. Os três cenários que entram na simulação: permanecer no Simples pelo Anexo V; permanecer no Simples subindo a folha até o Anexo III, somando o custo desse aumento; ou migrar para o Lucro Presumido, com IRPJ e CSLL sobre margem presumida e os demais tributos apurados à parte.
  6. O que decide: a carga total anual de cada cenário, apurada pela contabilidade com as regras vigentes, comparada ao efeito de cada um no caixa e na retirada dos sócios.

Os números são ilustrativos e não representam média do setor nem resultado de cliente. O exemplo mostra como os dados de entrada são montados, não quanto de imposto cada regime gera: alíquotas, faixas, margens de presunção e limites são definidos em lei e devem ser conferidos nas fontes oficiais citadas ao fim desta página.

Erros mais comuns

  • Escolher o regime pelo faturamento apenas: duas clínicas com a mesma receita podem ter regimes ótimos diferentes por causa do peso da folha.
  • Deixar a comparação para dezembro: a migração é feita, em regra, na virada do ano-calendário, e a análise feita em cima da hora costuma virar mais um ano no regime errado.
  • Comparar só o ano corrente: sem projetar os 12 meses seguintes, a clínica em crescimento escolhe um regime que deixa de ser o melhor poucos meses depois.
  • Ignorar o custo das obrigações acessórias: o Presumido exige mais escrituração, e esse trabalho adicional tem custo que entra na conta.
  • Aceitar recomendação sem memória de cálculo: sem a simulação escrita, o dono não tem como conferir a premissa nem refazer a conta quando a clínica mudar.

Como o Grupo Ryka trata isso na prática

  1. Levantamento da base: receita bruta, folha, pró-labore, mix de serviços e composição societária dos últimos 12 meses, que são os dados de entrada da comparação.
  2. Simulação comparativa: apuração da carga em cada cenário, incluindo o custo de ajustar a folha para o Anexo III e o custo das obrigações acessórias no Presumido, com a memória de cálculo entregue ao dono.
  3. Calendário da decisão: a análise é feita no segundo semestre, já com o crescimento previsto incorporado, e com prazo para executar a mudança na virada do ano-calendário quando for o caso.
  4. Revisão no fechamento mensal: faturamento, folha e Fator R seguem no painel de indicadores, para que a premissa da escolha continue sendo conferida ao longo do ano.

Por que a decisão precisa de simulação

A resposta muda com faturamento, folha, pró-labore, mix de serviços e até com a projeção de crescimento. Duas clínicas com o mesmo faturamento podem ter regimes ótimos diferentes por causa da folha. A contabilidade estratégica do Grupo Ryka faz a simulação comparativa com os números reais e projeta o efeito para os próximos 12 meses, para que a escolha não precise ser refeita logo depois.

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Perguntas frequentes

Existe um faturamento a partir do qual devo sair do Simples?

Há o limite legal do Simples Nacional, mas mesmo abaixo dele pode valer a pena migrar para o Lucro Presumido se a folha for baixa e a simulação mostrar carga menor. A decisão não é só pelo teto, é pelo resultado da comparação.

Mudar do Simples para o Presumido é complicado?

Exige planejamento e é feito, em regra, na virada do ano-calendário. Há mais obrigações acessórias no Presumido, o que aumenta o trabalho contábil, e isso também entra na conta da decisão.

O Fator R influencia o Lucro Presumido?

Não diretamente. O Fator R é uma regra do Simples Nacional. No Lucro Presumido, o peso da folha influencia a carga por outros caminhos, como a contribuição previdenciária patronal, mas não existe a mecânica de anexos.

Com que frequência revisar essa comparação?

Ao menos uma vez por ano, no segundo semestre, para valer no ano seguinte, e sempre que houver mudança relevante de faturamento, folha ou estrutura da clínica.

Tenho duas clínicas com CNPJ diferente. A comparação é feita separada?

Cada empresa tem a sua apuração, mas a análise precisa olhar o conjunto, porque a legislação do Simples trata situações de vínculo entre sócios e empresas, e isso pode afetar limites e enquadramento. O ponto exige conferência da contabilidade sobre a composição societária antes de simular qualquer cenário.

Meu contador disse que o Presumido é melhor, mas não vi a conta. Posso pedir?

Pode, e é o recomendável. A comparação deve chegar em forma de simulação escrita, com a receita e a folha dos últimos 12 meses, a carga apurada em cada regime e a projeção para o ano seguinte. Recomendação sem memória de cálculo não permite ao dono conferir nem decidir.

Fontes e referências

Igor Brito, Grupo Ryka — Experiência e Autoridade

Igor Brito é empresário, mentor e especialista em gestão financeira, precificação e lucratividade para clínicas. Fundador e CEO do Grupo Ryka, atua há mais de 10 anos desenvolvendo estratégias que unem finanças, gestão e crescimento empresarial para clínicas médicas, odontológicas e de estética.

  • Mais de 10 anos dedicados a finanças, precificação e gestão para clínicas.
  • Mais de 15.000 clínicas impactadas em todo o Brasil por meio de consultorias, mentorias e treinamentos.
  • Metodologia própria que integra precificação, indicadores (KPIs) e estratégia de crescimento.
  • Mais de R$ 500 mil investidos em formações, especializações e programas de desenvolvimento empresarial.
  • Grupo empresarial com equipes de consultoria financeira, contabilidade estratégica e tecnologia para o setor da saúde.

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado por Igor Brito. As informações têm finalidade educativa e não substituem um diagnóstico financeiro individualizado da sua clínica.

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consultoria financeira, contábil ou tributária individualizada. Cada clínica possui uma realidade específica de custos, faturamento, endividamento e estrutura tributária, que deve ser avaliada caso a caso.

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